Matéria Bruta com Miguel Castro Caldas e Joana Bagulho

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(MATÉRIA BRUTA – um espaço informal de apresentação de trabalhos em progresso, seguidas de pequenas conversas com os artistas que estão em residência no Atelier Real).

O escritor Miguel Castro Caldas e a cravista Joana Bagulho estão em residência no Atelier Real para investigação em torno da tradução e transcrição e apresentarão o lugar onde estão no processo de criação na programação Matéria Bruta.

Data: 08/04/2014 (terça-feira)

Horário: 19hs

Local: Atelier Real

entrada gratuita

Traduções, transcrições, e então?

Joana Bagulho, cravo, Miguel Castro Caldas, textos

“Estamos habituados a que o acto de traduzir nos remeta para uma origem, para um original. Mas se a encararmos como uma travessia (Übersetzung), de um rio, por exemplo, passamos a ter nada mais que um caudal confinado por duas margens. E não vamos dizer que uma margem é a origem da outra, nem a outra o espelho desta. Quando muito dizemos que o rio é o espelho das margens, e do céu e de nós próprios, se espreitamos. Então traduzir é atravessar de uma margem para a outra. Nem que seja para vermos a margem onde estávamos. Traduzir no fundo é escrever, porque escrever é isso, é sair de casa para vermos a casa de fora. Escrever é ganhar distância e traduzir é o percurso de ganhar essa distância. Escrever é ganhar distância. E transcrever? Por exemplo, para cravo a chaconne que o Bach compôs para violino? Transcrever, atrevo-me a dizer, é o segundo movimento. É passar de uma distância a outra. É ver o que está escrito, o que já está à nossa frente, e passar para outra distância. E para isso temos de traduzir outra vez. Caramba, Joana Bagulho, estamos sempre a traduzir.” Miguel Castro Caldas