Tanya Beyeler and Pablo Gisbert in residency at Atelier Real

EL CONDE DE TORREFIEL

Novo Projecto – Estreia a Junho de 2015, CND Madrid

Ciclo El lugar sin límites, dramaturgia en movimiento organizado por Teatro   Pradillo

Pablo Gisbert (Espanha, 1982) e Tanya Beyeler (Suiça, 1980) encabeçam o projecto artístico El Conde de Torrefiel, cujas encenações são resultado de uma oscilação entre literatura, artes plásticas e coreografia, que procura transcender os parâmetros da linguagem verbal.

“A residência de um mês no Atelier Real foi pensada para escrever o texto do nosso próximo projecto de encenação que tem data prevista para a sua estreia Junho de 2015. Depois desta residência, em Março, começaremos a pôr em práctica o texto através de ensaios com os quatro interpretes.

El Conde de Torrefiel explora, desta vez, o território inóspito do interior dos personagens; mostram-se ao espectador pulsões, pensamentos e perversões através de dispositivos formais como a palavra projectada ou a voz off.

O trabalho de El Conde de Torrefiel caracteriza-se pela procura de formas estéticas que permitam criar camadas de significados que colocam em conflito o texto e a acção. O objectivo dramatúrgico deste projecto consiste em oferecer uma paisagem através da qual se pode avançar mais comodamente por terrenos mais obscuros, perturbadores e violentos da mente das personagens mediante o processo intelectual da leitura dos textos, enquanto a representação em cena tenta ser forçadamente agradável, estética, higiénica e inócua.

Esta peça possui um forte carácter narrativo. Pensa o cenário como um livro aberto onde descrever e contar o mundo imperceptível das atmosferas, os pensamentos, as recordações e o medo face ao futuro. Organizaremos a cena como se tratasse de uma maquete, um jogo de representação inofensivo, bonito e frágil. Um mapa composto por imagens de natureza estética, sob o qual se esconde o território selvagem da mente, ameaçado pela perversão, pelo medo e a debilidade das leis morais.

 

Trabalhamos a concretização da obra através dos elementos cénicos chave para nós: o Texto é apresentado de diferentes formas (actores, texto projectado, voz) e possui um objectivo claro de comunicação que seja compreensivo para o espectador. Os textos apresentam-se de forma literária, frequentemente como monólogos, que expõe as ideias de forma lúdica para desentranhar as complexidades do pensamento. A linguagem é simples e directa e articula-se de forma a criar imagens do quotiiano, do presente da nossa realidade. A carga política dos textos radica no quotidiano, na apresentação dos conflictos do dia a dia para entender e desenvolver-se dentro da realidade que conhecemos: Europa, ano de 2015.

 

Em segundo lugar e contrapondo ao concreto do texto, utilizamos como elemento cénico a abstracção do movimento e acção. Não só colocando em contraste o que se diz com o que se faz, assim como também em termos formais. O comportamento dos corpos é, frequentemente próximo da linguagem da dança; não procura as formas realistas mas antes experimenta outras realidades possíveis de significados e da representação da subjectividade. O movimento em cena é calculado, organizado de forma estética e com um toque naive. Procuramos seduzir o espectador e provocar a sua cumplicidade para que, através da sua imaginação, possa completar as imagens. Assim podemos traçar uma linha de comunicação bidireccional baseada no mistério da possibilidade. Queremos com isto conseguir uma implicação directa baseada no jogo: o jogo das realidades possíveis.”

A COMPANHIA

A trajectória profissional da companhia inicia-se em 2010 com a estreia de La historia del rey vencido por el aburrimiento. Seguiu-se Observen cómo el cansancio derrota el pensamiento, em 2011 e Escenas para una conversación después del visionado de una película de Michael Haneke en 2012 e La chica de la agencia de viajes nos dijo que había piscina en el apartamento en 2013. Trabalhos que permitiram à companhia um reconhecimento nacional, apresentados em diferentes salas e festivais de Espanha como o Teatro Pradillo e o Festival SISMO de Madrid, La Fundición de Bilbao, O Festival NEO de Barcelona, o Festival Escena Abierta de Burgos, LEAL LAV. De Tenerife, Festival Inmediaciones de Pamplona, Festival inTACTO de Vitoria, Festival TNT de Terrassa, Festival BAD de Bilbao, Festival de Otoño a Primavera de Madrid ou o Festival Temporada Alta de Girona.

Gracias ao bom acolhimento por parte do público e crítica, durante o ano de 2014 os trabalhos da companhia transcenderam as fronteiras nacionais participando em programações de salas e festivais latino-americanas como o Festival TEMPO do Rio de Janeiro, Festival cena Contemporanea de Brasília, o FIT de São José de Rio Preto, o Museo del Chopo do México DF, Festival Danzalborde de Valparaíso e nos centros culturais de Espanha no Paraguai, Equador e Venezuela. Assim como em plataformas europeias como o Short Theater de Roma, Festival Réncontres choregraphiques de Seine-Saint-Denis de Paris e o CND de Montpellier.

Em 2015 têm datas marcadas com o Festival Kunstenfestivaldesarts de Bruxelas, o GIFT Festival de Gateshead, Festival Flare de Manchester e o Théâtre de la Bastille de Paris.

O Conde de Torrefiel faz parte da equipa artística da companhia de dança La Veronal na composição de texto e dramaturgia das suas peças.

Actualmente a companhia está a preparar a estreia da sua quinta obra que terá lugar no CDN de Madrid em junho de 2015.