Criada em 1990 para dar corpo às criações coreográficas de João Fiadeiro, desde cedo exibiu, através de projectos experimentais, co-produções, residências, festivais, workshops e edições, uma atenção especial à criação de um diálogo exigente e construtivo com a comunidade artística, os públicos e os agentes culturais. A REAL foi uma das estruturas que participou no movimento da ‘Nova Dança Portuguesa’ dos anos 90 e João Fiadeiro, no interior desse movimento, afirma-se através da criação das suas primeiras peças que se apresentaram regularmente um pouco por toda a Europa, mas sobretudo na Alemanha e França. A partir de 1997 João Fiadeiro é convidado com bastante regularidade para dirigir ateliers de pesquisa em países como França, Áustria, Suíça, República Checa ou Dinamarca. Em 1999 a RE.AL organizou no Lugar Comum o primeiro atelier internacional à volta da ‘Composição em Tempo Real’. Este evento, não só lançou as bases e conteúdos de investigação que a RE.AL ainda hoje pratica, como deu início à constituição de um colectivo de artistas, intérpretes e colaboradores nacionais e internacionais que participam, desde então, de forma mais ou menos formal, nas suas actividades. Desse trabalho intenso de investigação nasceu, em 2002, o projecto “Existência” que foi, até 2005, um dos espaços privilegiados de investigação do método da ‘Composição em Tempo Real’. Foi a partir da experiência com o projecto “Existência” que nasceram as colaborações com os coreógrafos Tiago Guedes, Cláudia Dias e o artista plástico Gustavo Sumpta que foram entretanto convidados para serem artistas associados da RE.AL, passando assim a beneficiar de um conjunto de condições logísticas e financeiras, necessárias à produção das suas peças, podendo contar com a intervenção da RE.AL na definição das suas estratégias de criação e difusão. A entrada destes artistas na RE.AL vem marcar o início de uma etapa verdadeiramente nova na vida da RE.AL, onde o conceito de companhia de dança ligada a um só autor, dá lugar à ideia de uma estrutura onde vários artistas desenvolvem os seus projectos sob a égide de uma mesma sigla. Nesse sentido assumimos, entre 2005 e 2009, uma organização bicéfala em que a RE.AL ocupou-se das novas criações e circulação de repertório dos coreógrafos associados e o Atelier RE.AL passou a organizar e produz os eventos ligados ao acolhimento e à programação. Entre 2009 e 2014 deslocou o centro de gravidade da sua actividade para um trabalho que privilegiou mais a investigação, a produção teórica e a transmissão da Composição em Tempo Real ao mesmo tempo que montou, com a antropóloga brasileira Fernanda Eugénio, o AND_Lab, centro de investigação e criatividade científica. A partir de 2015 a REAL volta  à sua condição original de estrutura dedicada à criação, ao mesmo tempo que assume uma separação do Atelier Real, de forma a dedicar toda a sua atenção ao trabalho coreográfico de João Fiadeiro e ao estudo, documentação e acervo da Composição em Tempo Real.